Padre Josevaldo representa a Diocese em congresso nacional sobre patrimônio cultural católico
A Diocese de Cruz das Almas participou do II Seminário Nacional de Patrimônio Cultural Católico e do III Encontro dos Equipamentos e Centros Culturais Católicos, realizados de 5 a 8 de outubro, na Casa Dom Luciano Mendes de Almeida, em Brasília (DF). A Diocese foi representada pelo padre Josevaldo Carvalho, assistente eclesiástico de bens culturais e pároco da Paróquia São Pedro do Monte.

Promovidos pela Comissão Episcopal para a Cultura e a Educação da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), os encontros foram realizados no contexto do Acordo de Cooperação Técnica entre a CNBB e o Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O tema desta edição foi “Os bens culturais da Igreja e sua gestão integrada a serviço da evangelização”.
Patrimônio, beleza e evangelização
Para dom Gregório Paixão, presidente da Comissão para a Cultura e a Educação da CNBB, o encontro buscou despertar, entre bispos, sacerdotes e leigos, um olhar atento para o patrimônio cultural da Igreja e para a responsabilidade de preservá-lo. Ele destacou que o Brasil possui uma riqueza cultural que precisa ser reconhecida, valorizada e colocada a serviço de todos.
“Nós recebemos uma herança maravilhosa e que precisamos conservar”, afirmou dom Gregório. Ele ressaltou que a beleza presente no patrimônio da Igreja não deve ser compreendida apenas por seu valor histórico ou artístico, mas também como caminho de evangelização e formação.
O bispo destacou ainda que as reflexões do seminário deveriam ultrapassar o grupo de especialistas reunido em Brasília e alcançar dioceses de todo o país. A expectativa era que os conteúdos contribuíssem para a formação de sacerdotes e seminaristas e fossem compartilhados com o povo de Deus, fortalecendo a preservação e o amor ao patrimônio e à cultura.
Responsabilidade de preservar
Dom Dirceu de Medeiros, membro da Comissão, chamou a atenção para a dimensão do patrimônio cultural sob responsabilidade da Igreja no Brasil. Segundo ele, a presença significativa de bens tombados exige esforços permanentes de salvaguarda, conservação e transmissão desse legado.
Para enfrentar esse desafio, dom Dirceu destacou a importância do diálogo e da cooperação com órgãos governamentais e com a sociedade civil, além da formação e qualificação de quem atua diretamente na gestão dos bens culturais.
“Os bens culturais da Igreja servem prioritariamente à evangelização”, afirmou. Para o bispo, além de preservarem a memória e a história, esses bens constituem uma “via da beleza”, capaz de comunicar a fé e dialogar com pessoas de outras tradições religiosas ou sem vínculo religioso.
Cultura de encontro
Na manhã de terça-feira, 6 de outubro, a programação contou com uma aula magna conduzida pela diretora do Secretariado Nacional da Pastoral da Cultura de Portugal, doutora Isabel Maria Alçada Cardoso. Ela abordou a relação entre pastoral da cultura, bens culturais católicos, expressões culturais e centros culturais, destacando como esses elementos podem estar a serviço da missão evangelizadora da Igreja.
A especialista ressaltou que o patrimônio recebido carrega a fé de um povo e deve ser cuidado, atualizado e transmitido às futuras gerações. Nesse processo, ações como inventariar, preservar e promover os bens culturais vão além da conservação material. Ela também enfatizou a troca de experiências e o aprendizado conjunto como caminhos para uma cultura de encontro, aberta ao diálogo e à construção coletiva.
Ainda naquela manhã, o vice-presidente do Instituto Brasileiro de Direitos Culturais, Vitor Studart, conduziu a conferência “Novas Perspectivas do Direito do Patrimônio Cultural Eclesiástico para sua Gestão Integrada, Captação de Recursos e Promoção”.
Studart abordou a importância da atuação articulada entre União, estados, municípios e sociedade civil na formulação e execução de políticas culturais. Também destacou a necessidade de planejamento, produção de dados e indicadores, financiamento, qualificação técnica e definição clara das responsabilidades relacionadas à preservação do patrimônio.
Gestão integrada
O encontro reuniu representantes de arquidioceses, profissionais e técnicos do Iphan, integrantes de equipamentos e centros culturais católicos — como museus, memoriais, arquivos e bibliotecas eclesiásticas — e especialistas de diferentes áreas.
Ao longo dos quatro dias, os participantes refletiram sobre preservação e sustentabilidade dos bens culturais da Igreja, identificação do patrimônio, captação de recursos, inventário e catalogação, conservação preventiva, Lei Rouanet, projetos de intervenção e adequação de espaços litúrgicos. A programação também abordou o uso de técnicas científicas e de inteligência artificial aplicadas ao patrimônio cultural.
Entre os resultados esperados estavam a apresentação de uma proposta de gestão integrada dos bens culturais da Igreja e a construção da Rede Eclesial Nacional de Equipamentos e Centros Culturais (RENECC).










