• Pascom Diocesana

O Coroinha - 5ª Edição do Artigo de Dom Tourinho

“O coroinha” – INFORMATIVO DIOCESANO

24 de março de 2020

Visitando uma determinada paróquia da Diocese, encontrei um grupo de coroinhas, meninos e meninas, bem espertos, a serviço do Altar. Um deles, após a missa, aproximou-se de mim na sacristia e perguntou-me:

“Senhor Bispo, qual o conselho que Vossa Excelência poderia oferecer a um jovem que deseja ser um bom coroinha e muito agradar ao Coração de Jesus?”

Achei interessante ele me tratar por “Vossa Excelência”, pois não é algo tão corriqueiro. Não sei quem o ensinou a se referir ao Bispo de uma maneira tão solene e respeitosa, porém, o que mais me chamou atenção foi o seu interesse em “agradar muito ao Coração de Jesus.” Diante de tal questionamento, eu me senti obrigado a dedicar alguns minutos de atenção ao adolescente preocupado em “agradar a Jesus sendo bom coroinha”. É claro que eu não poderia ir embora deixando a sua pergunta sem uma excelente resposta.


Eu comecei lhe dizendo que os exemplos dos santos são as melhores referências para que imitemos e, consequentemente, alegrarmos o Coração de Jesus. Eu pedi que ele chamasse todos os seus companheiros de serviço no altar e contei-lhes a história de São Joselito (São José Sánchez del Río).


“Joselito”, como era conhecido o pequeno mexicano de apenas catorze anos e que deu testemunho de Cristo, foi torturado e assassinado em 10 de fevereiro de 1928 pelos oficiais do governo porque se recusou a renunciar a sua fé.


No País do México, os católicos estavam sofrendo muito devido a uma guerra denominada de guerra cristera. Tratava-se de uma perseguição à Igreja Católica e que fez muitos mártires. Essa guerra começou depois da legislação anticlerical (contra o clero: bispos e padres) promovida em 1926 pelo então presidente Elias Calles.


As leis do presidente tirano proibiram ordens religiosas, fecharam os colégios Católicos, impuseram o encarceramento dos bispos e sacerdotes que se posicionaram contra as ordens do presidente. Os católicos mexicanos resistiram por três anos contra os sem-Deus e passaram a ser chamados de “cristeros”.


Diante desta perseguição à fé cristã, Deus suscitou no coração do adolescente Joselito a coragem de dar a vida pela Igreja. Ele pediu a Jesus a graça de morrer mártir. O jovem adolescente decidiu se unir aos cristeros e implorou a seus pais para que autorizassem que se unisse aos heróis cristãos.


Os combatentes católicos, inicialmente, não quiseram aceitá-lo porque tinha apenas catorze anos e temiam pelo perigo ao qual estaria exposto. Porém, por muito insistir, foi aceito como porta-estandarte da imagem da Virgem de Guadalupe caminhando à frente do pelotão. Seus pais lhe deram permissão e bênção e deixaram o filho partir. Depois, ele chegou a escrever para sua mãe afirmando:

“nunca foi tão fácil como agora ir para o paraíso”.

Joselito foi capturado e levado preso. Mais tarde, cortaram a sola dos seus pés e lhe obrigaram a caminhar descalço até sua tumba enquanto batiam nele. Queriam obrigá-lo a abandonar a fé com a tortura, mas não conseguiram. Seus lábios somente se abriram para gritar “Viva Cristo Rei! Viva a Virgem de Guadalupe!”. No cemitério, o chefe dos soldados ordenou que o esfaqueassem para que os tiros não fossem ouvidos. A cada facada, Joselito gritava:


“Viva Cristo Rei!!”, “Viva a Virgem de Guadalupe!”.

Depois, o chefe deu dois tiros na sua cabeça. Eram 23horas e 30 minutos do dia 10 de fevereiro de 1928.


Após eu finalizar a história de São Joselito, notei que os coroinhas estavam muito sensibilizados, inclusive o jovem que havia feito a pergunta. Exortei a todos que fossem meninos e meninas corajosos por amor a Jesus e a Igreja. Aconselhei-os a participar da catequese e a se comprometerem nas atividades paroquiais. Expliquei que é muito importante que os coroinhas recebam com assiduidade os Sacramentos da Reconciliação e da Eucaristia, como também, rezarem o terço todos os dias, se possível, com suas famílias. Falei sobre a importância da pureza de pensamentos e do cuidado com a castidade. Afirmei que, embora muito jovens, são chamados a compreender a perseguição que a Igreja Católica tem sofrido nos tempos atuais. Como coroinhas, precisam aprender a sofrer com a Igreja e pela a Igreja. Abençoei a todos e parti feliz na certeza de que eles também ficaram muito felizes.


Converse no seu grupo de coroinhas sobre o que mais chamou sua atenção no texto.

Aconselho a você buscar mais informações sobre a vida de São Joselito.


Dom Antonio Tourinho Neto

Bispo Diocesano

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