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Experiências no Brasil apontam para o desafio da inclusão das pessoas com deficiência na Igreja

Neste dia 3 de dezembro, o Papa Francisco enviou uma mensagem por ocasião do Dia Internacional das Pessoas com Deficiência. O Santo Padre inicia sua mensagem convidando a “renovar o nosso olhar de fé que vê em cada irmão ou irmã a presença do próprio Cristo”.  Embora tenham sido feitos grandes progressos no âmbito médico e assistencial, recorda o Papa, “ainda hoje se constata a presença da cultura do descarte e muitos deles sentem que existem sem pertencer e sem participar”.



Para tutelar os direitos das pessoas com deficiência e suas famílias, Francisco sugere “tornar o mundo mais humano removendo tudo o que lhes impede de viver uma cidadania plena, e os obstáculos do preconceito, favorecendo a acessibilidade aos lugares e a qualidade de vida, considerando todas as dimensões do homem”.


Para a Cícera Thadeu dos Santos, uma das lideranças que ajudou a consolidar a caminhada pastoral de pessoas com deficiência na Igreja no Brasil e que atua nesta área na diocese de Mogi das Cruzes (SP), o medo é grande desafio para a atuação com pessoas com deficiência na Igreja no Brasil.


“Falta conhecimento de como lidar com a pessoa com deficiência e como fazer. Isto gera barreiras e preconceitos”, disse. Segundo ela, é necessário fazer um trabalho de desmistificação e criação de métodos de trabalho tendo em vista a inclusão e acessibilidade das pessoas com deficiências nas pastorais, na catequese e também nos espaços físicos.


Foto: Vatican News

Pessoas com Deficiência na Igreja no Brasil


A Igreja no Brasil vem, ao longo das últimas décadas, consolidando uma experiência prática e de compromisso que se expressam nos documentos. No documento nº 26 da CNBB sobre “Catequese Renovada” a Igreja reforça que “a presença de deficientes físicos ou mentais numa família e comunidade eclesial as interpela evangelicamente e exige delas uma real identificação com o Cristo sofredor nesses seus irmãos mais fracos. A família e a comunidade deverão colocar à disposição deles todos os recursos necessários para acolhê-los como membros plenos de sua comunhão e para o possível conhecimento de Jesus Cristo”.


Um outro impulso nesta caminhada foi a realização em 2006 da Campanha “Fraternidade e pessoas com deficiência” cujo lema foi: “Levanta-te vem para o meio!” Também o Diretório Nacional de Catequese, aprovado em 2005, dedicou boa parte a apontar caminhos para avançar na inclusão de pessoas com deficiência reconhecendo, no número 2003, que “há algumas pessoas que têm necessidades específicas. Estas também precisam ser acolhidas na catequese. É preciso oferecer uma catequese apropriada em seus recursos e conteúdo sem reducionismo e o simplismo que apontem para um descrédito das capacidades da pessoa com deficiência”.


A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por meio da Comissão Episcopal Pastoral para Animação Bíblico Catequética, realizou cinco seminários nacionais cujo objeto de reflexão foi o trabalho com pessoas com deficiência e a sua inclusão na catequese e na Igreja. O 5º Seminário Nacional de Catequese junto à pessoa com deficiência foi realizado em 2011 com o tema “Igreja e a Pessoa com Deficiência” e o lema: “Levanta-te e anda” (At 3,6).  Em 2020, segundo informou o padre Jânison de Sá Santos, será retomado o Projeto Catequese Especial.


Uma experiência: A Pastoral da Pessoa com Deficiência


Algumas experiências, na Igreja no Brasil, apontam o que é necessário fazer para que a inclusão se torne uma realidade. É o caso da Pastoral da Pessoa com Deficiência (Pasped) na Arquidiocese do Rio de Janeiro, articulada desde 2010.


Na Arquidiocese há uma experiência muito rica de trabalho com pessoas com deficiência segundo nos conta o professor César Bacchim, coordenador arquidiocesano da Pastoral da Pessoa com Deficiência. Lá existe a experiência da Pastoral dos Surdos há 38 anos. Eles também desenvolvem a catequese especial há mais de 40 e a Fraternidade do Movimento Ecumênico de Pessoas com Deficiência há mais de 30 anos. A experiência mais recente é a Pastoral dos Cegos com três anos.


Até em 2010, segundo o professor Bacchim, cada pastoral funcionava com suas atividades de forma independente. A partir daí foi feito um trabalho para articular as quatro áreas das pessoas com deficiência: física, intelectual, auditiva e visual, com a criação da Pastoral da Pessoa com Deficiência (Pasped).


Há um movimento de integração, mas cada pastoral continua também fazendo suas atividades e metodologias específicas. Desde 2005, existe o Fórum de Pessoas com Deficiência que se reúne mensalmente, sempre na primeira quarta-feira do mês, do qual participam pessoas com diferentes tipos de deficiência: cadeirantes, cegos, surdos e pessoas com deficiência intelectual.


Segundo o professor, a Arquidiocese dá todo suporte para a realização do trabalho, incluindo uma sala de referência dentro do prédio de governo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro. O prédio é totalmente acessível com rampas e banheiros adaptados para cadeirantes.


No dia 4 de dezembro, a Pasped realiza o 9º Seminário Arquidiocesano da Pessoa com Deficiência, na Cúria Metropolitana, a partir das 16h. O seminário tem o tema: “Fraternidade e Inclusão começam em casa”.



Para conhecer mais sobre o trabalho: http://pasped.org.br

Foto da capa: Arquivo da Pasped – Arquidiocese do Rio de Janeiro


Fonte: CNBB

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