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Dom Antonio Tourinho escreve Carta Pastoral pelos 150 anos da Paróquia Nossa Senhora do Rosário




Dom Antonio Tourinho Neto

Bispo de Cruz das Almas


CARTA PASTORAL POR OCASIÃO DOS 150 ANOS DA PARÓQUIA DE NOSSA SENHORA DO ROSÁRIO – SANTO AMARO – BA.


Ao Revmo. Pároco, Padre Kleber Santana,

Aos Revmos. Diáconos Permanentes,

Aos fiéis leigos e leigas e suas organizações.

Queridos irmãos e irmãs,



“Entrai pelas portas dele com gratidão,

e em seus átrios com louvor, louvai-o,

e bendizei o seu nome”.

(Sl 99, 4)


É com grande afeto de pai e pastor que me dirijo a todos, mediante esta Carta Pastoral, para unir minha alegria à vossa alegria e juntos redermos graças ao Misericordioso Deus pelo tempo jubilar que esta Paróquia, mais que centenária, vivencia. Em um século e meio de história muito se tem para avaliar, corrigir, melhorar, fazer memória e, acima de tudo, celebrar. Claro, assistido pelo Espírito Santo e pela intercessão da Digníssima Mãe de Deus sob o título de Nossa Senhora do Rosário.


Esta paróquia é, em sua essência, uma “comunidade de fiéis” (communitas christifidelium) e assim foi erigida desde sua origem. Uma comunidade de batizados em plena comunhão com a Igreja, “porção do povo de Deus”, pois os fiéis que dela participam estão unidos entre si, pertencentes a um território, cujo presidente é o pároco, ou seja, o presbítero que atua como pastor próprio no exercício dos múnus (funções) de reger, ensinar e santificar o rebanho de Cristo, sob autoridade do Bispo diocesano.


Durante décadas, o Espírito Santo agiu e continuará agindo, ordinariamente, em favor deste povo, fazendo cumprir o que Jesus em seu Evangelho relata na parábola do grão da mostarda (Mt 13, 31-32) e na parábola do fermento que leveda a massa (Mt 13, 33).

No tempo atual da história, o Espírito Santo clama e todos precisam dar-lhe ouvidos, com muita atenção e discernimento, sendo dóceis às suas inspirações. Ele é quem anima e conduz a Paróquia, dando-lhe capacidade e luz para a realização de sua missão até a volta definitiva de Jesus Cristo.


1. Conversão pastoral e missionária com urgência.


O Espírito Santo clama por uma paróquia que acompanhe as novas realidades apresentadas pela sociedade e pela própria Igreja. Diante deste apelo, a comunidade de fiéis precisa se convencer de que a “evangelização” é sua primeira vocação. Uma comunidade que não evangeliza está condenada a desaparecer com o tempo. É de se tomar cuidado com uma pastoral meramente de conservação, isto é, aquela pastoral que cuida apenas daqueles que já frequentam a Paróquia. Nesse sentido, o Papa Francisco tem pedido “ousadia” aos cristãos, em relação a missionariedade. O Romano Pontífice usa insistentemente o termo “Igreja em saída”. O Papa quer dizer que a Igreja deve sair de si mesma rumo às “periferias existenciais”. Uma Igreja que vai ao encontro das pessoas, que visita, que ultrapassa as barreiras dos preconceitos, que se compadece com a dor alheia...


Ao longo de sucessivas falas, em diversas ocasiões, o Papa criou um vocabulário próprio a respeito da Igreja: Igreja que se move, que faz opção pelos últimos, que vai à periferia, que sai de si mesma, que anda pela rua, Igreja inclusiva, não excludente; não autocentrada, não narcisista, que não vive para si mesma; Igreja inteiramente missionária (EG 34); discípula missionária (EG 40); hospital de campanha, campo de refugiados. Ainda se pode citar EG 195, 197, 198,199.


2. As três fisionomias da Paróquia:


O Espírito Santo clama por uma paróquia que possua a fisionomia de Jesus, o “Bom Pastor”, “Pescador de Homens” e “Bom Samaritano”. Uma paróquia que vá ao encontro dos homens, mulheres, jovens, crianças e anciãos; também que se preocupe com os diversos seguimentos da sociedade e com todas as pessoas: as próximas e as que se encontram mais distantes, pois ela é a porta voz do Mestre e Senhor no local onde foi erigida.


Jesus se manifestou com o “rosto misericordioso do Pai” e se fez o “Bom Pastor” das ovelhas que já tiveram o encontro pessoal com Ele. Aquelas que frequentam a paróquia, que vão às missas aos domingos, que participam das pastorais e movimentos, que casam, batizam os filhos, que confessam e recebem a Eucaristia. Mas, para a paróquia não basta, pois ela quer ser também como Jesus o “pescador de homens”. Fazer o que Ele ordenou aos discípulos: “Avança para águas mais profundas, e lançai vossas redes para a pesca” (Lc 5,4). Responder o apelo do Senhor como Pedro respondeu: “Mestre, por causa da tua palavra, lançarei a rede” (Lc 5, 5).


Por fim, a paróquia é “boa samaritana” quando se torna capaz de sentir compaixão diante do sofrimento alheio. O Papa Francisco, numa catequese, por ocasião do Ano da Misericórdia explicou que “ter compaixão é se comover”. Na parábola do samaritano que Jesus contou, os outros dois personagens “viram” o acidentado à beira do caminho, mas seus corações permaneceram fechados, frios. Enquanto isso, explicou o Papa, “o coração do samaritano estava sintonizado com o próprio coração de Deus”. De fato, a compaixão é uma característica essencial da misericórdia de Deus. “Isso nos ensina que a compaixão, o amor, não é um sentimento vago, mas significa cuidar do outro, significa também comprometer-se realizando todos os passos necessários para “aproximar-se” do outro até identificar-se com aquele que sofre” (Catequese, Vaticano, quarta-feira, 27 de abril de 2016).


3. A Paróquia, discípula – missionária de Jesus Cristo no caminho da sinodalidade.

O Espírito Santo clama por uma paróquia toda ela formada por discípulos e missionários de Jesus Cristo. Discípulo e missionário, duas palavras diferentes, mas exatamente com o mesmo sentido. Ninguém pode ser discípulo e não ser missionário, nem ser missionário sem ser discípulo. Discípulos enquanto aprendizes com o Mestre, sentados ao seus pés, experimentando seu estilo de vida. Os primeiros passos para os que seguem Jesus no discipulado é aprender com Ele na arte da disponibilidade contínua, da capacidade de renunciar as seguranças e, iniciado o caminho, não voltar para trás, por motivo nenhum (Lc 9, 62). Missionários, pois todos os membros da comunidade paroquial são convocados a prestar ao mundo o anúncio da salvação em Jesus Cristo. Principalmente os fiéis leigos, que é maioria na comunidade cristã, também possuem o mandado do “ide e anunciai” tornando-se “Sal para a terra” e “Luz para o mundo”.


O Papa Francisco tem insistido numa Igreja sinodal. A palavra sínodo significa “caminhar juntos”. Uma paróquia sinodal é uma comunidade de fiéis, discípulos – missionários, que sabem partilhar ideias, opiniões, que sabem escutar com humildade, escuta que abre espaço ao diálogo. O caminho sinodal é um exercício eclesial de discernimento em conjunto, sem excluir, naturalmente, o princípio da hierarquia na Igreja.


4. A Paróquia, comunidade de Batizados e Enviados.


O Espírito Santo clama por um reavivamento da consciência batismal do Povo de Deus em relação à missão da Igreja. O compromisso com a conversão pessoal e comunitária deve levar, segundo o Papa Francisco, todos os fiéis a “ter verdadeiramente a peito o anúncio do Evangelho e a transformação das suas comunidades em realidades missionárias e evangelizadoras; e aumente o amor pela missão, que é uma paixão por Jesus e, simultaneamente, uma paixão pelo seu povo” (Carta do Papa Francisco ao Cardeal Filoni, 22 de outubro de 2017).


A celebração do jubileu, por ocasião dos 150 anos da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário em Santo Amaro, por feliz coincidência, acontece justamente no período em que a Igreja do mundo inteiro vivencia o Mês Missionário Extraordinário instituído pelo Romano Pontífice. É hora da paróquia intensificar, com renovado impulso, a transformação missionária e pastoral. Para tanto, faz-se necessária uma profunda comunhão com o plano pastoral diocesano, tornando-se cada vez mais uma comunidade solícita para com as prioridades e exigências evangelizadoras da Diocese de Cruz das Almas: que seja uma paróquia rede de comunidades e que priorize a catequese dos Sacramentos da Iniciação Cristã; que seja ela toda querigmática e que tenha a Pastoral Familiar como o “carro chefe” das demais pastorais; que valorize e apoie todas as vocações e ministérios; os fiéis leigos e leigas sejam bem formados para atuarem como agente transformadores da sociedade à luz do Evangelho.


5. Conclusão:


O evangelista Lucas, ao narrar a ida da Virgem Maria às montanhas, a uma cidade de Judá, para visitar sua prima Isabel (Lc 1, 39), fez questão de registrar que ela foi às “pressas”. Maria tinha pressa, ou melhor, ela assumiu a pressa de Deus. Pressa em anunciar a Boa Nova e servir. Esta comunidade paroquial é convidada a celebrar o aniversário do seu um século e meio de existência tomando para si a pressa de Nossa Senhora, imitando-a em seu agir para que o projeto do Altíssimo seja imediatamente cumprido e propagado. Só assim, a paróquia fará valer sua devoção pela Virgem do Rosário.


Que o Espírito Santo ilumine a todos, fortaleça e conduza! Que intercedam por todos a Mãe da Igreja e Senhora do Rosário e o querido Senhor Santo Amaro.


Cruz das Almas, na memória de Santa Teresinha do Menino Jesus, padroeira universal das missões, 01 de outubro de 2019, primeiro ano da Diocese do Recôncavo Baiano.



+ Antonio Tourinho Neto

Bispo da Diocese de Cruz das Almas.

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